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José Bonifácio, o abolicionista


Após 30 anos de estudos e trabalhos na Europa José Bonifácio de Andrada e Silva retorna ao Brasil em 1819.

Membro da maçonaria, que congregava lojas que contribuíam de diversas maneiras para as lutas pela liberdade, levou adiante as ideias que motivaram sua destituição do ministério do Interior e dos Negócios Estrangeiros, especialmente a defesa do fim da escravidão, contra a qual se levantaram os proprietários de escravos e terras, parte do grupo aristocrata do Partido Brasileiro.

Em 1823, José Bonifácio apresentou uma representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura (cópia ao lado), na qual defendia a extinção gradual da escravidão.


Nos 32 artigos, a Representação não deixava dúvidas: “O mal está feito, senhores, mas não o aumentemos cada vez mais. ... acabado o infame comércio da escravatura, já que somos forçados pela razão política a tolerar a existência dos atuais escravos, cumpre em primeiro lugar favorecer a sua gradual emancipação, e antes que consigamos ver nosso país livre de todo deste cancro, o que levará tempo, desde já abrandemos o sofrimento dos escravos, favoreçamos, e aumentemos todos os seus gozos domésticos e civis”.

Também defendia que as relações senhor-escravo fossem mediadas pelo Estado, sendo os senhores vigiados para que tratassem os escravos como homens e não como brutos animais. Vários artigos regulamentavam as condições de trabalho dos escravos, restringiam a exploração de menores e de mulheres, delimitavam a jornada diária, além de determinar que os senhores fornecessem alimentação e vestuário adequados.

A primeira experiência de colônias no Brasil, formadas por famílias vindas da Europa para a região no entorno da atual Nova Friburgo, tratada em 1817 e instalada em 1820 em sesmarias compradas pela Coroa e nas quais não deveria haver mão-de-obra escrava, terminaria em 1831, com a dispersão dos imigrantes. A estrutura agrária conservadora e desenvolvida com o trabalho escravo não aceitava o fim da escravidão, mesmo de forma gradual. Na fazenda propriedade da família Andradas, em Santos-SP, José Bonifácio introduziu vários imigrantes, com o objetivo de demonstrar a viabilidade da substituição da mão-de-obra escrava.

José Bonifácio foi preso em 1823, após o golpe do Imperador que fechou a Assembleia Constituinte, e levado para a Fortaleza da Laje. Dom Pedro outorgaria uma Constituição a 24 de março de 1824. Condenado ao exílio, José Bonifácio só retornaria o Brasil em 1829, sendo detido novamente por seus adversários no governo imperial em 1830, por suspeita de traição em prisão domiciliar na chácara que comprara na Ilha de Paquetá.

Em 1831, D. Pedro I se reconciliou com Bonifácio, nomeando-o tutor de seus filhos, ao abdicar ao trono e seguir para Portugal. D. Pedro II tinha 5 anos de idade então.

Deixou a vida pública e viveu seus últimos anos, até 1838, na Chácara que comprara na Ilha de Paquetá, onde situam-se a Casa de Cultura José Bonifácio e o Museu da Comunicação e Costumes.

Texto de Maria Lucia Silva Martins(Jornalista)

José Bonifácio em pintura de Benedito Calixto
José Bonifácio em pintura de Benedito Calixto

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