A casa de José Bonifácio
Situada na antiga Praia da Guarda, hoje Praia José Bonifácio, em estilo colonial, a casa foi contruída no século XVIII e sofreu diversas alterações ao longo dos anos. Após a morte de José Bonifácio, a propriedade foi a leilão e, conforme pesquisa na Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, a casa foi anunciada no Jornal do Commercio, em 2 de outubro de 1838, com o seguinte texto:
“Frederico Guilherme fará leilão, no dia de segunda-feira, em sua casa, Rua do Ouvidor, nº 84, de casas e chácaras sitas em Paquetá, pertencentes à herança do falecido Exmº Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, constando de uma moradia com porta e duas janelas de frente, duas ditas no fundo e quatro ditas do lado, forrada e assoalhada até o prumo da varanda, dois torreões aos lados da frente da casa, também forrados e assoalhados, tendo seis janelas de caixilho. Cada um desses torreões, construídos há pouco tempo e em perfeito estado, tem 25 a 30 palmos de frente e pouco mais ou menos de fundo, sendo por esta forma quase quadrados. A chácara onde se acha a referida casa é edificada, com benfeitorias e arvoredos diversos, em terras arrendadas ao falecido coronel Eugênio José da Silva Teixeira, de que pagam por ano 6$400 de aforamento”.
Já em 1923, na primeira escritura de venda obtida – Livro de Notas nº 74, fls. 45, Cartório do 11º Ofício – datada de 30 de outubro, a casa apresentava as seguintes características:
“... prédio assobradado com vinte metros e setenta e cinco centímetros de frente e dezessete metros de fundos, construído de pedra, cal e tijolos, com uma porta e quatro janelas de frente, dividido em cômodos para moradia.”
Juntamente com a escritura, havia as seguintes plantas:
Foi este Imóvel que o jornalista Fichel Davit Chargel adquiriu em outubro de 2015, para transformar em um museu que abrigasse as cerca de vinte mil peças que colecionou durante mais de 70 anos, uma coleção bastante diversificada, abrangendo peças que testemunham usos e tradições de tempos passados, bem como vasto material referente à comunicação.
Na ocasião, a casa já apresentava sua estrutura atual, além de varanda e jardim. A fachada frontal ainda mantém uma só porta, mas as janelas em madeira com bandeira são em número de oito. E a cobertura é em telha de barro, do tipo francesa.
Segue a planta baixa:
Após um processo que tramitou na Prefeitura do Rio de Janeiro, com acompanhamento do IPHAN, a licença para transformação de uso da Casa José Bonifácio de residencial para museu foi aprovada em 2 de julho de 2018. Sobre a questão, em 7 de maio de 2018, o IPHAN se manifestou em ofício (nº 872/2018/IPHAN-RJ-IPHAN) enviado à Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, da seguinte forma:
“Aproveitamos para salientar que o novo uso do BTN como Museu dos Costumes é visto como garantia de fruição pelo público do imóvel que até o momento era restrito aos proprietários. O museu, portanto, será um novo atrativo para a Ilha de Paquetá e poderá ser um meio de garantir a conservação adequada no bem tombado.”
Finalmente, em 22 de outubro de 2018, foi realizada a assembleia geral de fundação da CASA DE CULTURA JOSÉ BONIFÁCIO – MUSEU DA COMUNICAÇÃO E COSTUMES, cuja ata, assinada pelos sócios fundadores, e estatuto, foram levados ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas do Rio de Janeiro.
(Texto extraído do Projeto de Restauração e Adequação do imóvel sito a Praia José Bonifácio (antiga Praia da Guarda), nº 119, Paquetá, Rio de Janeiro-RJ, para utilização do FUTURO MUSEU DA COMUNICAÇÃO E COSTUMES. O trabalho foi desenvolvido em 2016 pelo Arquiteto e Urbanista Gustavo Cotrim, com a participação da Arquiteta e Urbanista Juliana Carvalho.)