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José Bonifácio, um estadista de visão

A Casa do Patriarca, desenho retirado do livro “Paquetá – Imagens de ontem e de hoje” de Vivaldo Coaracy

José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu no litoral paulista, em 13 de junho de 1763. Terminou seus estudos preliminares com 14 anos, sendo levado para São Paulo, onde estudou francês, lógica, retórica e metafísica, com o Bispo Manuel da Ressurreição.Concluído os estudos preliminares, José Bonifácio foi para o Rio de Janeiro, de onde seguiu para Portugal. No dia 30 de outubro de 1783, ingressou na Faculdade de Direito de Coimbra. Estudou também Filosofia Natural, que incluía história natural, química e matemática. Ainda na Europa, lecionou e realizou pesquisas, em especial nas áreas de química e mineralogia, chegando a publicar dois livros científicos. Em 1802, foi nomeado Intendente Geral das Minas, e condecorado, pela Universidade de Coimbra, com o título de Doutor em Filosofia Natural.

Em 1819, aos 36 anos, José Bonifácio voltou ao Brasil. Na época, estava sendo organizada, em Portugal, uma revolução vitoriosa, na qual exigiam a volta do rei e a elaboração de uma Constituição. No dia 24 de abril de 1821, Dom João VI embarcava de volta a Portugal, deixando Dom Pedro como regente.Quando chegou ao Brasil a ordem da Corte era para que o príncipe regente retornasse à Europa e, diante da eminência da recolonização, José Bonifácio manifestou ao príncipe que ele deveria ficar, quaisquer que fossem “os projetos das Cortes Constituintes”. Assim, em 9 de janeiro de 1822, sem intenção de ceder às pressões vindas de

Portugal, o príncipe pronunciou a frase que entrou para a história como o Dia do Fico:

“Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico.”

No dia 2 de setembro de 1822, o Conselho de Estado – José Bonifácio, Clemente Pereira e Gonçalves Ledo, entre outros, reunidos com Dona Leopoldina, concluíram que era preciso proclamar a independência. José Bonifácio escreve a Dom Pedro, que estava em São Paulo:

“A sorte está lançada, e de Portugal não temos que esperar senão escravidão e horrores.”

No dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro declarou que estavam destruídos todos os vínculos com Portugal, formalizando a Independência do Brasil. Pouco mais de um ano depois, durante uma sessão que discutia termos da Constituinte, José Bonifácio, seus irmãos e outros deputados liberais foram presos, e no dia 20 de novembro de 1823 foram deportados para a Europa.


Retiro filosófico

Anúncio no Jornal do Commercio
Bonifácio por Benedito Calixto, pintor

Exilado no Sul da França só pensava em voltar ao Brasil. Em 1824, Dom Pedro declara a inocência de José Bonifácio, mas não o chama de volta ao Brasil, o que só vai ocorrer em julho de 1829. Voltou ao Brasil despido de ambições e desiludido da política, e decidiu encontrar um refúgio onde poderia se dedicar a seus trabalhos científicos, educar sua filha e viver o restante de sua vida. Acreditando que em Paquetá encontraria seu almejado sossego, no mesmo ano adquiriu uma chácara ladeada por árvores e voltada para o poente na antiga Praia da Guarda, nº 119, praia que atualmente leva seu nome. Pelo terreno, que possuía pouco mais de 4.000m² e a casa, construída no final do século XVIII, que possuía aproximadamente 260m² de área construída, pagou 6 mil e 400 réis anuais, em regime de arrendamento,ao espólio do Coronel Eugênio Teixeira.

Considerava estar em seu “retiro filosófico” e viveu um curto período de tranquilidade, junto ao seu acervo de mais de 6000 livros. Em 1831 voltou a se envolver com política, devido a um pedido pessoal de D. Pedro I. O imperador já havia reatado a amizade e necessitava que Bonifácio se tornasse o tutor de seus filhos, o menino Pedro e suas três irmãs. Na ocasião, D. Pedro I precisara voltar a Portugal para lutar pelo trono lusitano.

Em 1833, acusado de tramar o retorno de Pedro I ao Brasil, foi banido para sua residência, em prisão domiciliar em Paquetá, até 1835. Findo o exílio, preferiu permanecer na casa até 1838, dedicado a ler e escrever, quando, por motivos de saúde, mudou-se para Niterói, onde faleceu em 6 de abril de 1838.

Influente político, cujas ideias repercutiram profundamente sobre os desígnios da nação brasileira, foi um dos principais responsáveis pela decisão de Dom Pedro I de proclamar a Independência, em 7 de setembrode 1822. Por sua atuação, se tornou conhecido como o Patriarca da Independência, embora somente em 11 de janeiro de 2018 tenha sido declarado o Patrono da Independência do Brasil, pela Lei no 13.615/2018.

Movimento para a Independência

Carta de José Bonifácio de Andrada e Silva a Dom Pedro, relatando o estado geral dos negócios do país e o progresso do movimento para a Independência. Contém trecho decisivo para a proclamação da independência. Escrito no Rio de Janeiro e datado de 1º de setembro de 1822. Sem assinatura. Manuscrita em três folhas, com 21 x 30,5 cm cada. Acervo do Museu Paulista (ou do Ipiranga), São Paulo, Brasil.

Transcrição de trecho:

“Senhor. O dado está lançado: de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores. Venha V.A.R. quanto antes e decida-se, porque irresoluções, e medidas d’água morna, à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem, e um momento perdido he uma desgraça. Muitas cousas terei a dizer a V.A.R., mas nem do tempo nem da cabeça posso dizer. Rio de Janeiro De V.A.R.”

Aclamado como Patriarca da independência, em 2018 José Bonifácio virou também o Patrono da Independência
(Texto extraído do Projeto de Restauração e Adequação do imóvel sito a Praia José Bonifácio (antiga Praia da Guarda), nº 119, Paquetá, Rio de Janeiro-RJ, para utilização do FUTURO MUSEU DA COMUNICAÇÃO E COSTUMES. O trabalho foi desenvolvido em 2016 pelo Arquiteto e Urbanista Gustavo Cotrim, com a participação da Arquiteta e Urbanista Juliana Carvalho.)
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