Breve histórico da Ilha de Paquetá
Antigo mapa da Baía da Guanabara. Retirado do Almanaque da Ilha de Paquetá
A Ilha de Paquetá, situada no interior da baía de Guanabara, foi descoberta em 1555 por André Thevet, cosmógrafo da expedição de Villegaignon, que estava em missão para fundar a França Antártica, uma colônia francesa estabelecida no território brasileiro (onde hoje se encontra o Estado do Rio de Janeiro), durante o período colonial, na época das chamadas “invasões francesas”. Como a descoberta só foi reconhecida pelo Rei da França, Henri II, no ano seguinte, em 18 de dezembro de 1556, esta se tornou a data oficial do seu descobrimento.
Paquetá era habitada pelos índios tamoios, povos indígenas do tronco linguístico tupi, em cujo território localizava-se a Baía de Guanabara, estendendo-se desde a região dos Lagos (Rio de Janeiro) até ao litoral norte do atual estado de São Paulo (Bertioga). O termo “tamoio” ou “tamuya” significa “avós” ou “mais velhos” na língua tupi. E o termo Paquetá sempre gerou polêmicas entre os historiadores. Para uns, designava área com muitas conchas ou muitas pedras; para outros, um lugar com muitas pacas, em tupi-guarani.
A ilha foi um dos mais importantes focos da resistência francesa à expedição de Estácio de Sá, que tinha como principal missão expulsar os invasores das novas terras. Os tamoios se aliaram aos franceses contra os colonizadores portugueses. E foi nas águas de Paquetá que ocorreu uma das mais importantes batalhas da vitória portuguesa, que culminou com a expulsão definitiva dos franceses.
Após cumprir sua missão colonizadora e fundar a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, Estácio de Sá doou a Ilha de Paquetá, sob a forma de sesmarias. A parte norte, atual bairro do Campo, ficou com Inácio de Bulhões; e a sul, hoje bairro da Ponte, com Fernão Valdez, ambos companheiros de luta do militar português. O lado sul teve colonização mais rápida, enquanto o lado norte caracterizou-se pela formação da Fazenda São Roque.
Com a Família Real no Brasil e o Príncipe Regente frequentando Paquetá, um alvará especial de D. João cria a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte. Em 1833, por decreto Imperial, a Ilha de Paquetá fica totalmente independente de Magé e passa a pertencer ao município da Corte.
O bairro se forma e cresce rapidamente, em virtude da visita frequente de D. João VI (a partir de 1808) e através do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, com apoio do funcionamento regular da linha de barcas, a partir de 1838. A ilha passou a assumir gradualmente a feição de pólo turístico, passando a ser a principal atividade da ilha, função que conserva até os nossos dias.
Em 1961, Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara, criou o Distrito Administrativo de Paquetá. Em 1975, com a fusão da Guanabara e do Rio de Janeiro, Paquetá passou a ser um bairro do município do Rio de Janeiro, constituindo a XXI Região Administrativa, vinculado à subprefeitura do Centro da cidade.
Em termos de saneamento, até 1908 os moradores utilizavam-se de poços para seu abastecimento. A partir daí, Paquetá passou a ser abastecida por dutos submarinos, que vinham do município de Magé, pelo sistema de captação de águas do Alto Suruí. Atualmente, o serviço é prestado pela empresa Águas do Rio,que substitutiu a Cedae, com águas provenientes da Estação de Tratamento de Imuna-Laranjal, no município de São Gonçalo, e chegam a Paquetá na praia do Buraco.
Em 1918 foi inaugurado o serviço de distribuição de eletricidade às residências, pela Rio-Light, através de cabos submarinos provenientes da Ilha do Governador, ligados a uma subestação na Praia da Guarda. Popularizada como Pérola da Guanabara e Ilha dos Amores, Paquetá ainda fascina moradores e visitantes por sua tranquilidade e seu peculiar patrimônio cultural e urbanístico, caracterizado pelo bucolismo das edificações, pela riqueza da arborização e pela calmaria de suas ruas. Todo esse encanto justificou sua transformação em Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) pelo Decreto “N” nº 17.555, de 18 de maio de 1999.
No interior da ilha não é permitida a circulação de carros particulares. Apenas poucas ruas no entorno da estação das barcas são pavimentadas em paralelepípedo, pois são características da ilha suas ruas de terra, nas quais, exceto pelas viaturas oficiais, não circulam automóveis, sendo o transporte constituído principalmente por bicicletas charretes elétricas, que substituíram as puxadas por cavalos.
Paquetá hoje pertence a um arquipélago situado ao fundo da Baía de Guanabara e seu acesso só é possível por embarcações. Na ilha há muitas praias, parques, pontes e construções a serem visitados, entre os quais, destacamos:
Praça Pintor Pedro Bruno, que fica na saída da estação das barcas. Foi projetada pelo próprio pintor.
Paróquia Senhor Bom Jesus do Monte, que é a igreja matriz da paróquia de Paquetá. Construída originalmente em 1763, passou por algumas reformas, a última em torno de 1.900, que preservou seu interior no estilo neo-gótico.
Praça Bom Jesus com o antigo bebedouro, que é cheia de árvores e tem no meio o antigo bebedouro em pedra, em formato de peixe, obra de Pedro Bruno.
Baobá Maria Gorda, que fica na praia dos Tamoios. É uma árvore de origem africana, tem centenas de anos e mais de 7 metros de circunferência. Tombada desde 1967, na frente dela há uma placa de ferro explicando a lenda que a envolve: “Sorte por longo prazo…/ A quem me beija e respeita./ Mas sete anos de atraso…/ A cada maldade, a mim feita.” O Baobá (MDCXXVII).
Parque Natural Darke de Mattos, muito bem cuidado, com muitas árvores centenárias, pássaros variados, mirantes. Vá até lá com tempo para conhecer o Mirante Boa Vista, todo feito de pedras. Fica no alto do Morro da Cruz e tem uma vista panorâmica da Baía de Guanabara.
Pedra da Moreninha, no final da praia que leva o mesmo nome.
Casa de Artes Paquetá, um centro onde acontecem shows musicais e encontros literários, além de abrigar uma escola de música, com a vantagem de ter serviços de bar e restaurante.
Casa de Cultura José Bonifácio – Museu da Comunicaçao e Costumes, bem tombado pelo IPHAN, porque ali o Patriarca da Independência cumpriu os anos do exílio a que foi condenado e depois transformou em seu lar e refúgio.