A Casa de José Bonifácio, na Ilha de Paquetá, colocada à venda em outubro de 2013, foi adquirida pelo jornalista Fichel Davit Chargel em outubro 2015, para abrigar sua coleção particular de objetos relacionados à comunicação e costumes, tendo sido transformada em museu em julho de 2018.
O espaço físico conta com a casa principal, com cerca de 400m², que em suas 12 salas de exposição abriga o acervo do museu, composto por cerca de 20 mil peças colecionadas pelo jornalista durante 70 anos.
E uma ampla área externa, com mais de 10 mil metros quadrados, onde há jardins de grandes dimensões, seis salas de exposição temporária, cinema com 50 lugares e uma biblioteca com mais de 2.300 volumes, voltada para atender à consulta e à pesquisa, preservando um acervo de expressivo valor histórico. Não podia faltar um aconchegante quiosque para serviço de café e lanches. A sala de exposição de xadrez apresenta jogos de diversas partes do mundo.
O casarão principal, onde está o acervo de longa duração, pertenceu e foi residência de José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da Independência. Tombado pelo IPHAN desde 1938, foi restaurado sob a supervisão desse Instituto, estando apto a funcionar como museu.
Vale ressaltar que o projeto de restauração não interferiu em absoluto com as instalações do prédio que abriga o museu.
Fichel Davit na sala do Museu, ao lado da escultura do Patriarca
Visita Técnica do Ibram
Antes de Fichel Davit Chargel comprar a Casa José Bonifácio, em abril de 2015 solicitou ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) uma visita técnica para dar conhecimento do seu acervo. Foram enviados os museólogos João Luiz Domingues Barbosa (Ibram) e Juarez Fonseca Menezes Guerra (Museu Histórico Nacional), que elaboraram um relatório, assinado em 24 de agosto de 2015, do qual destacam-se os seguintes trechos:
“O acervo corresponde às pretensões do proprietário em criar um Museu da Comunicação Costumes, e, uma vez processadas tecnicamente, as coleções apresentarão a evolução tecnológica da fotografia, estereoscopia, cinema, telefonia e da imagem em movimento além da história dos costumes no século XIX.
O legado de um Museu que abrigue uma coleção desta natureza além de ser de interesse público poderá tornar-se objeto de estudo para pesquisadores de instituições nacionais e internacionais possibilitando inclusive pesquisas em diversas áreas do conhecimento, todas ligadas as diversas categorias do acervo apresentado”.
A partir de 2017, muitas outras peças e documentos foram acrescentados ao Museu. Entre os documentos, há vários originais assinados pelo Patriarca da Independência em 1822.
Exposição de longa duração
Documentos originais de José Bonifácio
A exposição de longa duração, distribuída nas 12 salas do Museu, reúne aproximadamente vinte mil peças da coleção particular do jornalista Fichel Davit Chargel, que testemunham usos e tradições de tempos passados, bem como vasto material referente à comunicação.
Na Casa de Cultura José Bonifácio pode-se acompanhar a evolução tecnológica da fotografia, a partir de Daguerreótipos, passando pela ferrotipia, ambrótipos etc., até chegar à reprodução em papel. Há fotografias raras, como de Augusto Malta, Marc Ferrez e J. Gutierrez, entre outros.
Há também farto material em estereoscopia, destacando-se fotos em vidro de Guilherme A. Santos, retratando o Rio de Janeiro e periferia (mais de 6 mil), além de visitas de personalidades, como o Rei Alberto, da Bélgica, em 1920. E os mais diversos aparelhos de estereoscopia e máquinas fotográficas estereoscópicas.
Há peças raras do pré-cinema, como lanterna mágica, anamorphose, praxinoscópiotheater, polyrama, paranoptique, mutoscopeetc, além de vários cinematógrafos.
Está presente, igualmente, a telefonia, (a maioria dos aparelhos do século XIX e início do século XX), rádios galena, gramofones, caixas de música de tipos variados, como discos de cilindro, metal, zinco, papel perfurado, todas em funcionamento, podendo-se ouvir até o Hino Imperial Brasileiro. Orquestras em miniaturas, em bronze austríaco, marfim com madeira, murano, prata etc.
Há documentos, mapas, jornais (inclusive os primeiros números do Correio Braziliense, de 1808, primeiro jornal que circulou no Brasil, impresso em Londres, livros (sendo que o mais antiga data de 1561, com gravuras, e um Corão escrito à mão, com algumas iluminuras), máquinas de escrever antigas, uma Hamond do início do século XIX.
Desenhos, caricaturas e charges de J. Carlos, Kalixto e Raul Pederneiras (os mais antigos) e contemporâneos também pertencem à coleção.
Da mesma forma que bengalas, cachimbos, sombrinhas, chapéus, leques, cartões postais, netsukes, peças em marfim, ex-votos do século XVIII, arcanjos e imagens de santos (algumas do século XIX), louça inglesa, japonesa, francesa, holandesa, coleção das casinhas holandesas criadas pela KLM nos anos 50, peças de toucador e adorno feminino, canecas figurativas da cerâmica inglesa Royal Doulton, antigos gibis, almanaques de farmácias, coleção quase completa do Tico-Tico, cartazes de propaganda e anúncios, inclusive o da Primeira Copa do Mundo, em 1930, em Montevidéu, e álbuns de construções, como o da Avenida Niemeyer e da Avenida Central, este último com fotos de Marc Ferrez, editado em 1906, em formato grande. Há também peças referentes à escravidão, pinturas, desenhos etc.
Coleção de bengalas variadas
Desde a abertura do espaço à visitação, Fichel vem empreendendo grande esforço pessoal para manter a dinâmica de suas atividades, e a visitação regular e gratuita.
Democratização do acesso
O patrimônio cultural da Casa de Cultura José Bonifácio favorece o desenvolvimento de atividades ligadas a diversas áreas do conhecimento, que contemplam todos os tipos de público, de diferentes faixas etárias e classes sociais. Seus atrativos fortalecem o calendário cultural nacional e potencializam roteiros turísticos na cidade do Rio de Janeiro.
Quanto à acessibilidade física, a Casa de Cultura José Bonifácio está estruturalmente adaptada para receber pessoas portadoras de necessidades especiais, dispondo de acessos para as áreas internas e banheiros para cadeirantes. Da mesma forma tem acesso facilitado para eventos externos.
Desde a abertura ao público, em 23/06/2018, com uma apresentação da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros tocando composições de seu criador, o maestro Anacleto Medeiros, foram implementadas importantes ações na área externa da Casa de Cultura José Bonifácio, que vem consolidando sua posição como espaço permanente de difusão de conhecimento e de manifestações culturais.
Além da visitação regular, a Casa apresenta shows variados de música, dança, coral etc., oficinas, cinema, ciclos de palestras de interesse da comunidade, estando inserida e fortalecendo diretamente o roteiro cultural e turístico da ilha, movimentando diversos prestadores de serviços locais de forma sustentável.
Momentos Marcantes
A Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em apresentação na varanda da Casa
Participamos da 2ª e 3ª edições da FLIPA, Festa Literária de Paquetá, em novembro de 2018 e 2019, bem como da 7ª Olimpíada Estadual de Filosofia do Rio de Janeiro, em julho de 2019, que contou com a presença do líder indígena Ailton Krenak. Promovemos palestras e debates nos projetos Conversas no Museu, Bate-papo Cultural e outros, sobre assuntos correntes com especialistas nas respectivas áreas de atuação.
Realizamos parceria com o movimento Plantar Paquetá, que integra atividades voltadas à sustentabilidade, ecologia e meio ambiente na ilha, com a plantação na Casa de árvores doadas ou em extinção. Acolhemos manifestações de diferentes credos, tais como a FEBRE, Feira de Bruxaria e Esoterismo de Paquetá, em outubro de 2019. E em janeiro de 2020, foi rezada missa pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, em celebração ao Dia de São Sebastião, com a participação da Folia de Reis de um grupo de teatro local.
Os altos custos de manutenção para cobrir despesas operacionais, relacionados à promoção de sua agenda de eventos, vêm tornando inviável o compromisso do jornalista Fichel Davit Chargel de assumir pessoalmente e isoladamente a manutenção das atividades da instituição.
Para manter a Casa de Cultura José Bonifácio – Museu da Comunicação e Cultura funcionando e oferecendo visitação e agenda de eventos gratuitamente, é necessária a busca de parceiros e patrocinadores e apoio de entidades governamentais.
A Casa José Bonifácio, lembrança viva do Patriarca, não merece ser esquecida.
O jornalista Ancelmo Góis e a jovem escritora Duda, na Flipa
O líder indígena Ailton Krenak, ao invés de fazer uma palestra, improvisou um rito de saudação à terra
A dançarina encantou o público na FEBRE - Feira de Bruxaria e Esoterismo de Paquetá, em outubro/2019
Em janeiro/ 2020, o Arcebispo do Rio de Janeiro rezou missa celebrando São Sebastião participação da Folia de Reis
No Plantar Paquetá, Afonsinho doa um jacarandá mimoso para a Casa
A prof. Gloria Moraes em destaque na Conversas de Museu, em 2025